domingo, 17 de outubro de 2010

Another kind of fast food

Como eu já adiantei no post passado, o blog está rendendo mais do que eu poderia imaginar nos meus mais ousados sonhos. Esses dias soube que a Ana Suzuki, escritora premiada que fez "O Cadáver Incompetente", livro delicioso que eu apelidei de "Alice no País das Maravilhas brasileiro", acompanha o blog e acha nossos estilos de escrita parecidas, o que é um elogio sem tamanho. Não esperava que as pessoas fossem enfatizar tanto a forma que escrevo quando comecei o blog, mas fico muito feliz por todos os elogios, já que como muitos sabem, escrever é hobby, sonho e tarefa à qual sempre dediquei grande parte do meu tempo desde pequeno. Também gostei muito de saber que, de certa forma, estou inspirando e passando informação para as pessoas que já fizeram ou pretendem fazer um intercâmbio.

Estão vendo essa delícia de lugar aí? Sei que a foto não é das melhores porque, mesmo com toda a segurança que a Austrália passa, não tenho coragem de andar com a câmera, o que me obriga a usar o celular... Mas tem gente que anda com notebook no trem da madrugada como se nada fosse, então talvez eu esteja sendo cuidadoso demais. Enfim, a foto é do Sydney International Food Festival, um local em que basicamente vários restaurantes vendem uma boa parte de seus pratos em bandejinhas de papel e a preços módicos. Sâo várias tendas, algumas mesinhas pra sentar e comer e um bom pedaço de grama para você se jogar e ouvir música tipicamente não-australiana, como Michael Jackson e outras iguarias para sua audição.

O mais impressionante do festival, que pra mim nada mais é do que uma festa junina, é que as pessoas simplesmente relaxam no gramado em pleno fim de noite, em pleno centro da cidade, e depois pegam seus trens/ônibus para casa. Assim, sem nenhuma preocupação com segurança. Ah, e tem também uma espécie de van-stand com caixas eletrônicos para que você tire o dinheiro que vai gastar nas comidinhas, algo que infelizmente jamais funcionaria no Brasil porque seria depenada nos primeiros minutos do festival.

Minha ida ao festival aconteceu na quinta à noite, em companhia da Josi, da Luana e do Rui, esses dois últimos que eu conheci na estação pouco antes de ir pra lá. Apesar da enorme variedade gastronômica, apostamos no prato mais seguro, cada um com sua bandejinha de arroz, frango e alguma coisa que me parecia ser bacon, misturados da maneira mais asiática possível com aqueles vegetais que nunca sabemos o que é, mas fingimos saber. Exótico mesmo foi o sorvete do Rui, que mudava de cor dependendo da luz, variando de marrom a azul e verde em segundos. O sorvete tinha gosto de graxa (e eu sei disso mesmo sem nunca ter comido graxa) e Josi e eu tivemos que misturar os nossos de chocolate e limão, um extremamente amargo e o outro extremamente azedo (espero que vocês descubram qual é qual), mas combinados eles ficavam na medida certa.

sábado, 16 de outubro de 2010

Eight days a week


Bike Ferris Wheel

O blog tem dado um retorno muito maior do que eu esperava e mesmo assim estou aqui, uma semana sem escrever. Acreditem, não é por falta do que dizer, porque foi uma semana mais repleta de acontecimentos do que final de novela mexicana, exceto que não teve sequestro, assassinato, casamento nem nascimento. Pensando bem, não aconteceu tanta coisa assim, mas a gente tenta.

Segunda foi o meu teste de nível na ACE, minha escola de inglês convenientemente lotada de brasileiros, e eu ainda não sei como, mas fiquei no pré-avançado, o que significa que em algumas semanas chego no avançado e como não existe avançado-avançado, terei que escolher algum outro curso como o de preparação para o IELTS (também conhecido como "o teste de inglês mais fudidamente difícil já feito"). Obviamente fiquei feliz do meu inglês precário ser considerado melhor do que eu esperava e tenho aprendido muito nas aulas, das quais saio absolutamente exausto e pronto para desmaiar por algumas horas na cama (mas não o faço, porque como diria minha sábia amiga com nome de deserto, a Saara, eu posso dormir no Brasil).

Estudar inglês num lugar em que só se fala inglês (mesmo tendo 4 brasileiros na minha classe, nós raramente falamos uma palavra em português) é ao mesmo tempo a melhor forma de aprendizado da língua, como uma das experiências mais cansativas que já tive. Mesmo nas aulas simples, tem hora que o cérebro simplesmente sobrecarrega e você precisa simplesmente parar de pensar por alguns minutos. Mas a aula não vai parar por causa do seu cérebro em parafuso, então é uma batalha constante pra se manter mentalmente estável. Dito isso, é fascinante perceber o quanto dá pra evoluir de um dia pro outro e conversar com as pessoas usando palavras que você nem sabia que conhece.

Velhinhos jogando xadrez na hora do almoço!

Obviamente, a cota de português fica garantida nas minhas caminhadas para a estação (que estão cada dia mais longas) e nos intervalos, quando fico caçando gente no Skype para conversar na minha língua nativa e descansar um pouco a mente. O Skype aqui funciona em qualquer celular da operadora 3, "de graça" (são aproximadamente 400 minutos) em qualquer plano pré-pago, vale muito a pena!

Como esse post foi mais para dar um sinal de vida antes de explorar mais um pouco a cidade, eu prometo (e vocês podem me cobrar) voltar depois para contar as outras desventuras da semana, como a minha primeira festa junina australiana, a peregrinação com os roomates espanhóis e tchecos e a melhor balada que já fui na vida, entre outras coisas!

PS: Por falar em festa junina, na minha infame entrevista de nivelamento a moça perguntou "what's your favorite holiday?" e eu respondi "são joão". De todas as coisas em inglês que podia ter dito numa entrevista de nivelamento em inglês, eu tinha que responder a única coisa que a mulher jamais saberia o que é! Mas tudo bem, porque quando expliquei o que era são joão, ela ficou fascinada com o banho de cultura. Ainda bem que aprendi a remediar situações embaraçosas com minha mãe!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Son of a beach

Lembram dessa vinheta bizarra que passava no Sony Entertainment Television? Son of a beach era uma série de mini-episódios sobre um assunto peculiar, literalmente descrito em seu título: as idas e vindas de um filho da praia.A sonoridade de son of a beach também pode ser escutada num famoso vídeo do YouTube em que o famoso encanador da Nintendo, o Mario (que Mario?), transita pelas ruas do jogo GTA e reage à morte de seu irmão Luigi com um "you kile my brotá, you son of a beaches!". Obviamente, essa longa introdução remetendo a clássicos da produção audiovisual brasileira e italiano não tem nenhum propósito, além de começar aleatoriamente o relato sobre meu domingo na praia.

Pois como vocês bem sabem, me tornei do dia para a noite um gênio das estações de trem e, com o sucesso de ter encontrado a escola no sábado, aproveitei o domingo para conhecer o local mais famoso de Sydney: a Opera House. Li no mapinha que o local mais perto da dita cuja era a Circular Quay Station, embarquei no trem e para a minha surpresa, a estação desembocava no meio do porto, o que de cara me deixou perplexo, fascinado e desnorteado. Quem vê as fotos sem conhecer, pode pensar que a Opera House é apenas um prédio de conchinhas, e é! Mas a beleza do conjunto, combinando as conchinhas com a Harbour Bridge, as ferries que saem em direção a vários pontos e aborígenes tocando eletrotribalmusic em suas flautas high-tech, é indescritível.

Até deixei umas moedinhas, porque o som tava bacana!

Depois da apreciação, de ligar para casa observando a vista e de uma rápida passada no Hungry Jack's (não me julguem, o resto dos locais era caríssimo), analisei bem os destinos de cada ferry e escolhi a empreitada do dia: Manly Beach, o paraíso de surfistas e gaivotas. Ao contrário do que eu imaginava, andar de ferry não é nada emocionante, ao contrário do que o famoso acidente de Grey's Anatomy sugeria. O barco se locomove a uma velocidade desanimadora, demora uma eternidade para chegar e você nem consegue apreciar a paisagem do lado de dentro, sendo que para pegar um lugar na proa é preciso duelar com milhões de turistas enfurecidos (mas talvez isso seja porque eu fui justo no domingo). E daí a ferry chega e você se depara com essa farofada aqui, ó:

Desespero define. Vi esse deque, um pedacinho de areia, crianças brincando na beira do mar, onde havia um enorme aviso de proibido nadar e pensei "isso é uma das praias mais famosas de Sydney?". Obviamente, não era. Explorando um pouco Manly, que é mais uma cidade à parte do que apenas a praia em si, descobre-se que há uma bela paisagem a ser explorada, especialmente a paisagem humana. Outro aspecto peculiar é que, nas areias de Manly, se joga futebol, vôlei, tênis e qualquer outro esporte imaginado, todos combinados na mesma área, ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas, numa verdadeira convergência de midias esportivas!

E por falar em convergência, veja que coisa linda essa gaivota que estava só, abandonada na Circular Quay e encontrou seus amigos e familiares horas depois em Manly Beach! (Da série: as coisas que a gente inventa quando não sabe como terminar o post)

domingo, 10 de outubro de 2010

Mc Dolar, ay ay ay ay ay, me niego a colaborar


Vamos fazer um joguinho? Tentem adivinhar qual dessas moedas australianas vale mais, sem trapacear e olhar no final do post. Quero ver se vocês vão no óbvio ou acertam de primeira.

O engraçado é que demorei dias pra mexer nas moedas que recebi de troco e só o fiz porque a carteira estava ficando pesada com essas delícias guardadas. Para a minha surpresa, descobri que já tinha uma quantia exorbitante, suficiente para 3 almoços, só nisso. Mas voltemos ao assunto do dinheiro depois, porque antes eu preciso falar da...

Nebulosa assombração da residência estudantil

Como vocês devem lembrar, e se não lembram voltem para os posts antigos, o apartamento em que estou é habitado por seis indivíduos: o Jardel e eu num quarto, a Gabi e a Juanita (que se chama Aida, mas Juanita é um nome muito mais interessante) e como recentemente descobri, o Fabio (ainda não sei de que país ele é, mas fala espanhol também) e o Elan, que tem um sotaque carregadíssimo da Nova Zelândia e é meio que o administrador da casa. E aí vocês me perguntam: quem foi a mulher que vi na varanda ao voltar pra casa a primeira vez? Uma ladra que invade varandas alheias? A Gabi variando no visual ao ponto de eu não reconhecê-la? Um dos rapazes liberando a drag queen interior? A inominável Klarinha evil, listada como verdadeira administradora da residência e que nunca deu as caras? Pois é, eu não sei.

Como minha relação com os espanholitos está aos poucos se desenvolvendo e eu até dei algumas aulinhas sobre estações de trem para os novatos (fingindo que entendo disso há muito tempo, na maior cara de pau), achei melhor não tocar no assunto da nebulosa assombração da residência estudantil agora. O engraçado é que, enquanto a Juanita e o Jardel, que acabaram de chegar, passam o tempo todo na rua (ou pelo menos o tempo que eu passo em casa e não os vejo), a Gabi que está há duas semanas passa o dia aqui (ou a parte do dia em que eu passo em casa e a vejo), na companhia da nebulosa assombração da residência estudantil.

If I had a million dollars I would buy you a fur coat (but not a real fur coat that's cruel)

De volta ao dinheiro, vamos resolver a charada:

Como todos devem imaginar, não são as grandes moedas as de maior valor. Nem mesmo as médias moedas! Aquela grandona prateada ali no canto direito é de 50 centavos, enquanto a sua gêmea do lado esquerdo vale 20 centavos. A prateada do meio é uma merreca, 5 centavos, o que nos deixa as duas douradinhas. A de cima é a grande vencedora do prêmio "quem vale mais?", representando 2 dólares, enquanto a de baixo vale apenas 1. Agora, vejam a descoberta que eu fiz:

Essa pequenina pilha de moedinhas vale nada mais nada menos do que 14 dólares, que eu estava deixando acumular na minha carteira enquanto usava notas para pagar supérfluos como um almoço no Mc Donald's, que custa 5. Caso eu queira continuar nessa dieta hiper saudável, basta juntar a moedinha de 1 dólar a esse montante e já tenho 3 almoços garantidos, vejam que beleza! Logicamente não é o que vou fazer, já que embora barato, o Mc Donald's aqui é tão ruim quanto no Brasil, o que me obriga a procurar outras opções mais consistentes, que incluem até mesmo... Horror dos horrores, cozinhar!

sábado, 9 de outubro de 2010

These boots are made for walking

Sei que é cedo pra comemorar qualquer mudança ou realização pessoal provocada pela viagem, mas fiquei realmente chocado com o que aconteceu hoje. Consegui comprar o maldito ticket (31 dólares pra pegar o trem que eu quiser durante 7 dias, aparentemente pra pegar o bus e a ferry junto é mais caro), me aventurar pelas estações (mas não fui a Kings Cross, sorry fãs de Harry Potter) e chegar à minhaescola, o que tira da minha lista de preocupações não conseguir chegar nela segunda-feira E ainda me dá um domingo de folga pra explorar mais livremente a cidade. Tudo isso com uma anotação breve do percurso tirada do site da Cityrail e um mapa na mão. Quando na vida eu imaginei que saberia usar um mapa? Eu disse que estava chocado.

Verdade seja dita, a minha leitura demapas é até mais acurada que o Cityrail, que me mandou descer na Town Hall Station, fazer uma longa caminhada pela rua George (nome do meu irmão) até o cruzamento com a St King e finalmente, York Street, que também tive que atravessar inteira até encontrar o prédio da ACE. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que justamente ao lado da ACE havia outra estação, a Wynyard? Eu podia ter facilmente pego outro trem da Town Hall pra lá e economizado a caminhada, mas de qualquer forma foi bom pro mapinha entrar na minha cabeça.

Curiosidades e inutilidades da Austrália
  • As coisas na City são bem diferentes do pacato bairro de Kogarah, onde eu estou. Hungry Jacks (também conhecidos como o Burger King daqui) brotam em cada esquina, assim como Starbucks e orientais apressados.
  • Também fiquei admirado com a quantidade de casais gays andando de mãos dadas e até abraçados na rua sem chamar nenhuma atenção dos passantes. Muito bem, Austrália!
  • Mesmo que eu economize a caminhada com a facilidade dos trens, a cota de exercício está garantida com a quantidade de escadas que você tem que atravessar em cada estação para mudar de plataforma. Mesmo assim, o sistema de transporte é impecável e a pontualidade com que os trens chegam, impressionante.
  • Esse moço aí vestido de bota gigante é uma verdadeira atração na rua, cumprimentando todo mundo com high fives e tentando convencer alguém a entrar na loja de sapatos que o contratou. Eu prometi que voltaria lá quando pedi pra tirar a foto e embora não esteja atrás de sapatos, até penso em cumprir a promessa só pela simpatia do botão.

Lost and found

KK, eu, Josi e Ana Paula no aeroporto de Santiago

Aos poucos, as coisas vão se ajustando... Depois de dormir a tarde inteira e acordar às 5, enxerguei as coisas com mais clareza e hoje já pude dar uma boa volta pela vizinhança e reconhecer o peso que essa experiência vai ter pra mim. Comprei um chip de celular que ainda não sei se vai funcionar no meu aparelho (anotem aí: 0433218023), mas de qualquer forma pretendo comprar um aparelho melhor, porque aqui vale mesmo à pena.

Além de comprar esse chip, almoçar no MC Donalds (olha a criatividade abundando de novo!) e finalmente encontrar a estação mais próxima (que é atrás do parque sem entrada, como o Luciano bem me disse), fiz minhas primeiras compras no mercado e, meu Deus, como as coisas aqui são exageradas! O pão de forma éo  dobro do tamanho do nosso, os sucos vem em unidade de 6 caixinhas gigantes e os pacotes de salgadinhos tem o tamanho de uma criança chinesa pequena (coisa que também não falta no mercado ou em lugar nenhum por aqui). Com essa ida ao mercado, começo aqui a minha série de posts carinhosamente nomeada:

Curiosidades e inutilidades da Austrália

  • Os produtos Home Brand (seria como você ir ao Extra e comprar um produto da marca Extra) são ABSURDAMENTE mais baratos do que qualquer outro, como eu já tinha lido em muitos blogs de gente que veio pra cá. E o negócio compensa, porque tudo o que eu comprei é bem gostoso, ao contrário da marca Extra (sorry, Extra) e eu não imagino como os das outras marcar podem justificar a diferença.
  • Felizmente, não há POLVOS para comprar na Woolworths (mercadão que tem em cada esquina), o que me deixou mais tranquilo, mas me obriga a voltar no The Big W qualquer dia desses para tirar foto desse adorável molusco.
  • Tem roupas baratíssimas em tudo que é lugar, tipo 10 dólares numa camisa social, só pra exemplificar. Ainda não analisei cuidadosamente as roupas em todo lugar, mas não me parecem vagabundas ao extremo.
  • A mão inglesa não é confusa apenas se você dirige, dá um trabalhão como pedestre também. Você pensa que pode ser atropelado de um lado e quando está passando, BAM!, é atropelado do outro. Não que eu tenha sido atropelado, logicamente, ou o tom desse post seria bastante diferente.
Um desabafo não-relacionado: desde de manhã, tento acessar o Facebook pra ver se tem mensagem da KK ou da Josi e não consigo porque essa bosta me obriga a identificar fotos tagueadas de vários amigos pra entrar na conta, e se eu não acertar bloqueia. O problema é que tem gente que se marca em, sei lá, árvores soltas no meio da rua, fora os amigos que adicionei pra jogar Farmville e nem sei quem são. Oh vida, oh céus!

Outro desabafo não-relacionado: Meu Deus, é só eu sair de Brasília que tem um terremoto lá, como é que eu perdi uma dessas?

PS: Muito obrigado a todo mundo que tem comentado (Glória, Carol (s), Lara, Luciano, Ju, Camis, Cintia, Leandro, Poroca, Erika), corro para ler o que as pessoas tem achado do blog sempre que conecto. Continuem me fazendo essa gentileza porque estou muito carente de contato com vocês e de notícias do Brasil! E quem não está fazendo essa gentileza, comece! ;)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

7/24 Warialda St., Kogarah 2217 NSW

Viu, Lupe?

Pois é, acabei dar o meu endereço atual no blog, quero ver se tenho stalkers de nível internacional pra virem aqui. A residência é até bem bacana e, ao contrário do que eu esperava, limpa. O prédio tem um estilo Melrose Place, como diria o grande jornalista Luciano Guaraldo, na tentativa de suavizar o termo "cortiço". Tem dois apartamentos em cada andar, o meu fica no segundo e vou ter que dividi-lo com mais 5 pessoas. O Jardel, com quem vou dividir o quarto, a Juanita, que vai dividir com a Gabi (OUTRA espanhola... essa divisão de residências preza mesmo a diversidade de nacionalidades, hein?). O outro quarto tem mais dois homens, um que passou por mim zumbimente e nem me deu tempo de perguntar o nome e de onde vem (mas que foi falar em espanhol com a Gabi, tsc tsc) e outro que ainda não vi. O que me lva ao primeiro momento de real desespero!

O primeiro momento de real desespero

Tem coisa melhor do que repetir frases desnecessariamente só pra dividir tudo em subtópicos? Até tem, mas depois do meu primeiro momento de real desespero (I did it again), me reservo ao direito. Francamente, eu já esperava ter algumas dificuldades por conta do meu inglês arcaico, mas até então, estava dando pra suportar porque todas as pessoas ao meu redor estavam mais ou menos na mesma situação. O problema foi quando caiu a ficha de que estava morando com quatro pessoas conversando alegremente em espanhol, obviamente sem fazer o menor esforço pra me incluir, e as minhas breves tentativas de socializar falando em inglês resultaram em frases monossilábicas e olhares de constrangimento, já que essas pessoas estão muito satisfeitas em conversar em espanhol e eu muito satisfeito em menosprezá-las sutilmente chamando-as de "essas pessoas". Ok, momento de revolta acabado, é lógico que não vou me fechar para as pesoas da casa por causa dessa impressão inicial.

Let's go to the mall!

Com o Jardel e a Juanita indo dormir cansados da viagem e a Gabi trocando palavras joviais com seu amigo zumbi, fui tomar um banho (consegui "temperar" a água direitinho, parabéns pra mim) e dei uma volta na vizinhança. Tem um parque enorme bem na frente da residência, que eu terei o maior prazer de contar a vocês como é quando eu descobrir como se entra nele (é bizarro, tem várias entradinhas por todos os lados, mas todas elas acabam em uma cerca ou algo que não te deixa entrar de verdade), um Mc Donald's descendo a rua e um shopping relativamente perto. Descobri três coisas no shopping: 1) eu não tenho a menor criatividade, porque no meio de milhares de opções comi no Subway. 2) Visa Travel Money não é aceito em todo lugar que tem Visa coisa nenhuma, todos os lugares que tentei disseram que não trabalha mcom ele, INCLUSIVE o Subway. 3) não tenho a menor condição de comprar um celular sozinho, praticamente pedi à moça da loja um tutorial "telefonia australiana for dummies" e ela me respondeu com "don't you have any friends here?". Deprimente!

Pelo menos já garanti os meus adaptadores de tomadas numa loja grande de variedas, o The Big W, que tem umas coisas até bem baratas, tipo HD externo de 320GB a 60 dólares. E coisas bizarras, como UM SAQUINHO DE POLVO NA SEÇÃO DE PESCARIA! Não estou exagerando, tinha mesmo um polvo em conserva, mergulhado em um líquido nojento dentro de um saquinho. Tipo jujuba em saquinho sabe? Mas não era jujuba, era UM POLVO! Tinha outros animais em conserva também, mas eu fiquei muito chocado pelo POLVO pra me importar.
Não tirei foto do POLVO, mas capturei esses acrobatas!

Back home

Voltei para a residência, que estava vazia, com exceção de uma figura estranha sentada na varanda (parecia uma mulher e eu que só esperava conhecer mais um homem da residência não faço ideia de quem possa ser). Fiz todo o barulho possível ao chegar, mas a moça/moço nem se moveu, então vim pro quarto aproveitar o adaptador de tomada e escrever tudo no notebook. O mais bizarro é que a residência tem wi-fi, mas eu simplesmente não consigo conectar daqui, sendo que o Jardel e a Juanita com seus smart phones conseguiram num instante. Até a conexão é repressora com brasileiros, vejam só!
Como sou fã do estilo "write while you feel it", vou manter o texto intacto e postar quando tiver algum acesso à internet, seja tentando mais uma vez pelo wi-fi ou usando o computador da "área comunal" (sempre quis falar isso, desde que comecei a ler Harry Potter), então é bem possível que as coisas estejam bem diferentes quando publicar os posts.

P.S.: O wi-fi funcionou, mas fico até receoso de postar alguma foto por causa do aviso IMENSO junto com a senha: banda limitada, não baixar músicas, não ver vídeos do YouTube, não ligar webcam, não respirar enquanto digita no MSN, etc. A última eu inventei, mas do jeito que esse povo tá miserável com banda, eu não duvido que incluamesse detalhe.