Pelo visto, altos e baixos serão a tônica dessa viagem. Foi tanta coisa boa e tanto perrengue em um tempo tão pequeno que eu preciso até me render ao estilo "diarinho" e contar os fatos em ordem cronológica pra não me perder. Começando pelas coisas boas, então? Descobri a utilidade do Orkut! Explico: através da comunidade de brasileiros na Austrália, conheci com antecedência a KK, pernambucana indefectível que me ensinou o termo "inglês indígena" e a Josi, manauense que desde o início da viagem alugou espaço na bagagem alheia, quase teve seus pertences levados para o Chile por engano e mesmo com todos os imprevistos reagiu a tudo com uma calma inacreditável. Não dá pra ficar entediado perto dessas duas e já no aeroporto de Guarulhos, começamos a nos deparar com situações inusitadas. A primeira foi enquanto fazíamos uma horinha antes do embarque (elas com uma cerveja Devassa e eu com a minha ultima caipirosca no Brasil), quando um médico que morou na Inglaterra se interessou pelo nosso intercâmbio e prontamente começou a dar dicas de como pedir bebidas e convencer os outros a esperar mais pela saideira. Informação mais do que útil!
Guarulhos-Santiago, o trecho do inferno
Foram "apenas" seis horas, mas o voo de Santiago foi provavelmente a parte mais cansativa de toda a viagem. Imagine uma lata de sardinhas ainda mais apertada do que qualquer voo doméstico da Tam ou da Gol, uma equipe de funcionários cuidadosamente selecionados para fazer cara feia a qualquer pedido feito a eles (sério, dava medo de pedir água, ainda mais porque quando eles resolviam trazer, a sede já tinha passado) e uma turbulência filha de uma meretriz, que deixou todo mundo tenso, menos o senhor do meu lado que só riu e disse: "passar por cima da cordilheira é sempre assim ou pior, da outra vez um cara voou no teto e caiu de cabeça no piso do avião, de tão forte que foi o negócio". Se isso deveria me tranquilizar ou era parte do plano maléfico da LAN-Chile para traumatizar seus passageiros, eu não tenho certeza, mas a segunda opção é bem mais plausível.
Não posso esquecer da moça que vomitou algumas fileiras na minha frente, que sabiamente usou o cobertor da companhia pra contornar o estrago e, um pouco menos sabiamente, os comissários resolveram deixar NO MEIO DO CORREDOR, para garantir que o odor se espalhasse por mais tempo. Para piorar, um velhinho achou que o cobertor tinha caído e muito simpaticamente ofereceu para a senhora ao lado da vomitona ,que desesperadamente pediu que ele largasse o dito cujo. Momento precioso pra marcar a viagem pra sempre!
Mais bagunça na terra dos pinguins
Já em Santiago, pausa pra esticar as pernas, olhar os fascinantes (NOT) artigos chilenos com pinguins no Duty Free, ligar pra casa e esperar mais umas horinhas. A essa altura, já tínhamos conhecido uma boa turma de brasileiros, inclusive a Rita, que mora em Sydney há algum tempo e nos deu umas bocas dicas e, pelo menos pra mim, uma grande notícia: aqui tem leite condensado sim! Sei que comemorar esse fato é uma gordice sem tamanho, mas pra quem achou que passaria 6 meses sem comer brigadeiro, foi mais do que libertador.
A saga da Josi também continuou em grande estilo, quando a Ana Paula, baiana em trânsito pra Brisbane e responsável da vez pela bagagem extra (o responsável anterior era um completo desconhecido que ia ficar no Chile mesmo) resolveu brincar que tinham colocado todas as coisas dela no lixo. Foi a situação em que vi a Josi mais preocupada, mas mesmo assim ela não esboçou um pingo de pânico, e só respirou aliviada quando a Ana disse que tinha trazido tudo. Onde eu pego um pouco dessa serenidade emprestada?
Santiago-Auckland, um teste de paciência
Vamos lá que o avião era um pouco melhorzinho. Ok, bem melhor! Televisão individual, poltronas mais confortáveis e espaçosas, mas não muito. A verdade é que esse espaço adicional diminui consideravelmente quando a pessoa na sua frente resolve reclinar a cadeira, tirando tanto a sua possibilidade de esticar um quanto as pernas quanto a de assistir a televisão sem ficar cego por causa do ângulo bizarro. E não importa o quanto você seja viciado em filmes e seriados (meu caso) ou capaz de dormir várias horas em qualquer condição precária (não é o meu caso), eventualmente esse trajeto de mais de 12 horas (mais uma vez, eu não sei exatamente quantas foram, mas pareceram 2 dias) vai te levar ao nível máximo do tédio, fazendo-o se sentir numa excruciante sessão de tortura.
E para criticar um pouco mais a LAN, mesmo os atendentes novos sendo muito simpáticos depois da troca de voo, vamos combinar que 2 episódios de Friends, 2 de Two And a Half Man, 2 de Will & Grace e vários pacotes de pegadinhas não são uma seleção de comédia decente nem aqui, nem na Nova Zelândia. Vi todos e depois tive que apelar para os filmes, já que o resto das opções de séries era House (blé), Los Simuladores (se ainda fosse The Sims) e a primeira temporada completa de In Treatment, que pode ser muito boa, mas naquela situação incentivaria o suicídio.
Welcome to Sydney, bitch!
Mais três horinhas da Nova Zelândia pra terra dos cangurus, uma fila gigantesca pra passar na alfândega e enfim a quebra dessa rotina aeroporto-voo-aeroporto. Curiosamente, o motorista do transfer que ia me levar para a residência era o mesmo das meninas, um árabe muito simpático (ou pelo menos eu acho que é árabe, porque ele se chama Emre Kalafat) que deu até moedinha de 2 dólares para a Josi ligar do orelhão. Infelizmente, elas ficaram no aeroporto pra esperá-lo na próxima leva e eu vim para a rua Warialda (que é bem mais bonita do que no Google Street, mas ainda assim corre risco de inundar) com dois espanhóis que vieram para a mesma casa, o Jardel e a (como não entendi o nome dela até agora, inventarei) Juanita.
Meu primeiro momento de real desespero com a língua (e não é o inglês), a primeira saída sozinho e um almoço muito criativo, no próximo post... To be continued!












