sexta-feira, 8 de outubro de 2010

One for the road


Pelo visto, altos e baixos serão a tônica dessa viagem. Foi tanta coisa boa e tanto perrengue em um tempo tão pequeno que eu preciso até me render ao estilo "diarinho" e contar os fatos em ordem cronológica pra não me perder. Começando pelas coisas boas, então? Descobri a utilidade do Orkut! Explico: através da comunidade de brasileiros na Austrália, conheci com antecedência a KK, pernambucana indefectível que me ensinou o termo "inglês indígena" e a Josi, manauense que desde o início da viagem alugou espaço na bagagem alheia, quase teve seus pertences levados para o Chile por engano e mesmo com todos os imprevistos reagiu a tudo com uma calma inacreditável. Não dá pra ficar entediado perto dessas duas e já no aeroporto de Guarulhos, começamos a nos deparar com situações inusitadas. A primeira foi enquanto fazíamos uma horinha antes do embarque (elas com uma cerveja Devassa e eu com a minha ultima caipirosca no Brasil), quando um médico que morou na Inglaterra se interessou pelo nosso intercâmbio e prontamente começou a dar dicas de como pedir bebidas e convencer os outros a esperar mais pela saideira. Informação mais do que útil!

Guarulhos-Santiago, o trecho do inferno
Foram "apenas" seis horas, mas o voo de Santiago foi provavelmente a parte mais cansativa de toda a viagem. Imagine uma lata de sardinhas ainda mais apertada do que qualquer voo doméstico da Tam ou da Gol, uma equipe de funcionários cuidadosamente selecionados para fazer cara feia a qualquer pedido feito a eles (sério, dava medo de pedir água, ainda mais porque quando eles resolviam trazer, a sede já tinha passado) e uma turbulência filha de uma meretriz, que deixou todo mundo tenso, menos o senhor do meu lado que só riu e disse: "passar por cima da cordilheira é sempre assim ou pior, da outra vez um cara voou no teto e caiu de cabeça no piso do avião, de tão forte que foi o negócio". Se isso deveria me tranquilizar ou era parte do plano maléfico da LAN-Chile para traumatizar seus passageiros, eu não tenho certeza, mas a segunda opção é bem mais plausível.
Não posso esquecer da moça que vomitou algumas fileiras na minha frente, que sabiamente usou o cobertor da companhia pra contornar o estrago e, um pouco menos sabiamente, os comissários resolveram deixar NO MEIO DO CORREDOR, para garantir que o odor se espalhasse por mais tempo. Para piorar, um velhinho achou que o cobertor tinha caído e muito simpaticamente ofereceu para a senhora ao lado da vomitona ,que desesperadamente pediu que ele largasse o dito cujo. Momento precioso pra marcar a viagem pra sempre!

Mais bagunça na terra dos pinguins
Já em Santiago, pausa pra esticar as pernas, olhar os fascinantes (NOT) artigos chilenos com pinguins no Duty Free, ligar pra casa e esperar mais umas horinhas. A essa altura, já tínhamos conhecido uma boa turma de brasileiros, inclusive a Rita, que mora em Sydney há algum tempo e nos deu umas bocas dicas e, pelo menos pra mim, uma grande notícia: aqui tem leite condensado sim! Sei que comemorar esse fato é uma gordice sem tamanho, mas pra quem achou que passaria 6 meses sem comer brigadeiro, foi mais do que libertador.
A saga da Josi também continuou em grande estilo, quando a Ana Paula, baiana em trânsito pra Brisbane e responsável da vez pela bagagem extra (o responsável anterior era um completo desconhecido que ia ficar no Chile mesmo) resolveu brincar que tinham colocado todas as coisas dela no lixo. Foi a situação em que vi a Josi mais preocupada, mas mesmo assim ela não esboçou um pingo de pânico, e só respirou aliviada quando a Ana disse que tinha trazido tudo. Onde eu pego um pouco dessa serenidade emprestada?

Santiago-Auckland, um teste de paciência
Vamos lá que o avião era um pouco melhorzinho. Ok, bem melhor! Televisão individual, poltronas mais confortáveis e espaçosas, mas não muito. A verdade é que esse espaço adicional diminui consideravelmente quando a pessoa na sua frente resolve reclinar a cadeira, tirando tanto a sua possibilidade de esticar um quanto as pernas quanto a de assistir a televisão sem ficar cego por causa do ângulo bizarro. E não importa o quanto você seja viciado em filmes e seriados (meu caso) ou capaz de dormir várias horas em qualquer condição precária (não é o meu caso), eventualmente esse trajeto de mais de 12 horas (mais uma vez, eu não sei exatamente quantas foram, mas pareceram 2 dias) vai te levar ao nível máximo do tédio, fazendo-o se sentir numa excruciante sessão de tortura.
E para criticar um pouco mais a LAN, mesmo os atendentes novos sendo muito simpáticos depois da troca de voo, vamos combinar que 2 episódios de Friends, 2 de Two And a Half Man, 2 de Will & Grace e vários pacotes de pegadinhas não são uma seleção de comédia decente nem aqui, nem na Nova Zelândia. Vi todos e depois tive que apelar para os filmes, já que o resto das opções de séries era House (blé), Los Simuladores (se ainda fosse The Sims) e a primeira temporada completa de In Treatment, que pode ser muito boa, mas naquela situação incentivaria o suicídio.


Welcome to Sydney, bitch!
Mais três horinhas da Nova Zelândia pra terra dos cangurus, uma fila gigantesca pra passar na alfândega e enfim a quebra dessa rotina aeroporto-voo-aeroporto. Curiosamente, o motorista do transfer que ia me levar para a residência era o mesmo das meninas, um árabe muito simpático (ou pelo menos eu acho que é árabe, porque ele se chama Emre Kalafat) que deu até moedinha de 2 dólares para a Josi ligar do orelhão. Infelizmente, elas ficaram no aeroporto pra esperá-lo na próxima leva e eu vim para a rua Warialda (que é bem mais bonita do que no Google Street, mas ainda assim corre risco de inundar) com dois espanhóis que vieram para a mesma casa, o Jardel e a (como não entendi o nome dela até agora, inventarei) Juanita.

Meu primeiro momento de real desespero com a língua (e não é o inglês), a primeira saída sozinho e um almoço muito criativo, no próximo post... To be continued!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

It's time to say goodbye, block out the sun and pack up the sky...


Passei praticamente o último mês antes da viagem em despedida e posso dizer que foi uma salada de emoções sem precedentes. É saudade antecipada, misturada com a alegria de saber que eu tenho algo muito bom para o que voltar, com aquela pitadinha de tristeza não fazer parte da vida dos que ficam tão frequentemente quanto eu gostaria, coroado por uma enorme satisfação, porque o tanto que eu fiz parte da vida dessas pessoas, e elas fizeram da minha, já valeu por qualquer período de distância. E vai continuar valendo.


Pois é, poucas horas antes de viajar e minha dramaticidade ficou mais aflorada do que nunca. As malas ainda estão abertas (mas basicamente prontas desde anteontem, viu? Não deixo tanto pra última hora assim), as últimas despedidas mal fizeram efeito (nada como ouvir conselhos como "não fale com estranhos" da Glória e tentar levar a sério as promessas de visita da Ju, que deveria ter viajado comigo e amarelou de última hora) e a sensação no momento é praticamente impossível de descrever, até porque não é uma só. Depois de semanas inquietas de empolgação, medo e ansiedade, tudo junto, agora parece que estou anestesiado, bloqueando a maioria dos pensamentos e esperando o que vem a seguir. A única certeza que tenho é que vai ser tudo ainda mais intenso do que já foi até agora, e eu mal posso esperar por isso.


Nessa correria de despedidas e preparativos finais, a parte "pré-viagem" do blog não funcionou como eu esperava, e vou ficar devendo posts sobre todo o processo com a escolha da agência, obtenção de visto e arrumação das malas, entre outras coisas que antes de fazer, eu só soube por outros blogs (olha os links aí no menu direito, pra você se informar com essa galera mais esforçada do que eu!), mas se esses assuntos interessarem a alguém, por favor me avisem nos comentários que eu conto tudo!


Antes de encerrar as atividades por hoje, fechar as malas e dormir, não custa acrescentar: muito obrigado a todos que me fizeram quase chorar na despedida oficial, mesmo os que não puderam aparecer, mas me emocionaram com ligações e mensagens. Entre a alegria rever velhos amigos de diversas épocas e lugares diferentes, astronautas que brotaram nas fotos, meu sobrinho de 10 meses que conseguiu a proeza de dormir no local mais barulhento de Brasília e a disposição do meu irmão que compensou a ausência com um verdadeiro tour gastronômico nos dias seguintes, foi tudo maravilhoso e muito mais do que eu poderia esperar.


E pra comprovar que eu sou melodramático e vou sentir saudades até de pessoas que nunca conheci pessoalmente, muito obrigado também ao pessoal dos Seriadores (eu sou doente por séries e tenho outro blog, sabia? Visitem! :D) que me bombardeou de mensagens muito bacanas e me fez ter certeza que será uma verdadeira batalha conciliar o meu tempo na internet com as horas de praias, coalas e cangurus.


Don't let my tears start to make you cry each time I try to say my goodbye... Com a breguice exacerbada de terminar posts com os meus amados The Corrs, eu me despeço por aqui. Vejo vocês em Sydney!

sábado, 25 de setembro de 2010

Let's just start already

Se você chegou aqui, imagino que seja por um dos seguintes motivos: a) Você me conhece. b) Você já foi, irá ou tem vontade de ir para a Austrália, ou para qualquer outro país numa experiência de intercâmbio. c) Você tem muito tempo livre para visitar blogs aleatórios, mesmo que não sejam do seu interesse. Se por acaso a resposta é uma dessas, ou ainda "d) Todas as anteriores", seja muito bem-vindo. Caso seja "e) Nenhuma das anteriores", eu sinto dizer que esse blog não vai te interessar muito. Porque esse blog é sobre a Austrália, sobre intercâmbio e com um certo contragosto, sobre mim. Contragosto não porque eu me ache tão desinteressante assim, mas porque nunca na vida tive um blog pessoal e isso provavelmente já ficou claro em toda a minha dificuldade de desenvolver um parágrafo inicial razoável.

Bom, então como já ficou definido que eu não faço ideia de como fazer um blog pessoal, vamos às apresentações, que eu imagino que valham de alguma coisa mesmo se você "a) Me conhece", porque sempre tem alguma informação que pode passar batida. Eu me chamo Leonardo (mas prefiro ser chamado de Leo, porque tenho a impressão que as pessoas estão irritadas comigo quando me chamam pelo nome), tenho 24 anos (e dispenso as piadinhas óbvias), me formei em publicidade e propaganda e estou prestes a fazer a loucura de embarcar sozinho, por quase 7 meses, para a Austrália.

Digo "loucura" porque eu sou o tipo de pessoa que sente falta de casa em uma viagem de uma semana. Me apego aos menores detalhes familiares, como minha cama, meu travesseiro, meu banheiro, a vista da minha janela (que não é lá essas coisas, mas faz falta mesmo assim). Mas eu encaro "loucura" como uma coisa bem positiva também. Não vejo a hora de sair da minha zona de conforto, conhecer as milhões de culturas, paisagens e pontos de vista diferentes que o intercâmbio tem a me oferecer e até mesmo as dificuldades que me esperam, porque quebrar a cara um pouquinho é sempre bom pra amadurecer. Mas só um pouquinho, viu? Não quero me arrepender mais tarde de ficar ansioso até pelos apertos.

Como você já deve ter percebido, eu tendo a divagar um pouco além do normal e escrever nesse blog será a minha batalha diária contra essa prolixidade... Só não vou batalhar muito, porque divagar me acalma e como tem gosto para tudo nesse mundo, então se uma pessoa gostar de ler meus devaneios, já está valendo. Vamos falar do que mais o blog vai tratar, além dessa batalha-não-muito-batalhada? Basicamente de tudo. Na minha busca por informações de intercâmbio, eu me deparei com muitos blogs bacanas que me ajudaram bastante a planejar a viagem. Desde blogs mais enxutos, com dicas de questões práticas como transporte e telefonia, passando por blogs só de fotos e com estilo "diário", até os de pessoas que se empolgam demais nas palavras como eu, todos foram úteis e é sempre bom ver como essa experiência é diferente pra cada pessoa e que cada visão tem alguma coisa a acrescentar.

O que pretendo fazer aqui é um pouco disso tudo: postar fotos interessantes, manter meus amigos e familiares atualizados do que anda acontecendo, dar algumas dicas para o pessoal que, como eu nesse momento, pretendem ir e querem o máximo de informação possível... Em resumo, compartilhar cada pedaço da viagem, até mesmo a parte chata, porque leitor que é leitor não desiste no primeiro parágrafo de enrolação (e se você está lendo isso, é porque não desistiu e eu já fico muito feliz). Então, estamos combinados? Antes de embarcar, ainda pretendo discutir meus preparativos aqui no blog, mas é mesmo a partir do dia 6 de outubro que a jornada começa. Espero que todos estejam dispostos a me acompanhar!