segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Television, new religion, let everyone sing Hallelujah

Como bom aficcionado por TV que sou, não podia deixar esse blog sem a minha análise detalhada do que é a programação australiana. Ok, não tem nada de detalhada porque foi apenas baseada no ato de zapear os canais por alguns minutos, mas nem por isso é uma análise menos interessante!

Eu já tinha ouvido comentários muito animadores a respeito da grade televisiva local, desde coisas mais gentis como "it's a little boring" (um pouco entediante) até "it's a smelly, huge pile of shit" (pra quem não souber a tradução, deixarei a cargo do Google Translator). Pois bem, na minha breve experiência, a única palavra que encontrei pra descrever o que vi foi BIZARRO.

Mas assim, bizarro mesmo. Bizarro com gosto. Sabe quando você tenta achar qualquer utilidade num programa e simplesmente não consegue? Sabe quando uma coisa é tão ruim, mas tão ruim, que dá a volta e fica boa? Assim me senti nesse pouco tempo apreciando o coitidiano televisivo dos mates! Eis o que pude vislumbrar nessa viagem pelos canais, com os devidos comentários:

Arte com vegetais
Muito nut-tri-t-trivo, já diria nossa adorada Ruth Lemos sobre esse programa tão folhoso!


Competição de culinária com crianças usando utensílios de plástico
Aparentemente, existem muitos programas e reality shows de culinária, o que por um lado faz sentido porque australianos não sabem cozinhar, mas por outro mostra que ninguém os assiste, ou a coisa já teria melhorado um pouco. De qualquer forma, não tem nada mais divertido do que ver essas crianças com olhos esbugalhados cortando um frango maior que suas cabeças com uma faquinha de plástico sem serra.

Um homem mostrando sua coleção de gravatas
Entretenimento da mais alta qualidade!

Emocionantes jogos de boliche
Freddy Flintstone não sairia mais de sua caverna se a mesma fosse em Sydney!

Uma mulher ensinando a pintar móveis com as cores mais berrantes possíveis
Excelente se você sempre sonhou em ter uma mesa verde cana e cadeiras amarelo ouro!

sábado, 6 de novembro de 2010

Moving out, moving in, moving on


Um mês de Austrália. Não dá pra pensar sobre isso sem me assustar com a velocidade que as coisas acontecem aqui. E com a lentidão também! Sim, porque como já disse diversas vezes no blog, contradição domina a minha experiência de intercâmbio. Ora, eu penso: faz um mês? Mas eu não fiz quase nada! E depois: mas um mês? Eu já vivi tanta coisa, conheci tanta gente e a vida está tão diferente. Dias de pura agonia, tédio e saudade de casa. Dias pra descrever como "um dos melhores da minha vida", em que qualquer acontecimento simples ou lugar novo, por menos importante que pareça, fazem tudo valer.

Com esse mês completo, veio também a primeira grande mudança aqui em Sydney. Desde quarta passei pelo longo e trabalhoso processode me mudar de Kogarah, a minha adorável, mas distante vizinhança repleta de indianos e kebabs. Acho até que vou sentir falta da minha caminhada de 10 minutos até a estação de Rockdale, aquela mesma em que no segundo dia de viagem, encontrei por acaso e tive a maior dificuldade pra comprar o ticket certo do trem. Hoje, já nem lembro o que achava tão difícil e me locomovo por aquelas plataformas como se tivesse feito isso a minha vida inteira. O mesmo se aplica à minha confusão com a mão inglesa das ruas, pois já sei pra onde olhar e desconfio até que vou estranhar de novo quando voltar pro Brasil.


Making a lot of new friends

Quem me conhece bem sabe como me apego fácil às pessoas, então me despedi com um nozinho na garganta de Milan, Aida, Jordi, Jiri e Gabi... Não convivemos o tanto quanto eu gostaria, tivemos lá os nossos contratempos, mas no pouco tempo que dividimos, foi muito divertido. Não esqueço do dia em que cheguei e estavam todos na sala, depois de dias emque os 6 nunca estavam juntos e o Milan, animadíssimo, grita "ALL TOGETHER!" e começa a cantar "We are family". Good times...


Alien signs at Opera House

Mas devo dizer que agora está muito melhor! Me mudei para a Liverpool Street, bem no meio da City, muito perto da minha escola e de basicamente todos os lugares que pudermos pensar em ir à noite, desde os pubs mais elitistas até um bar de pedreiro com bebidas de 3 dólares. A desvantagem é que se antes dividia o quarto com uma pessoa, agora divido com quatro, mas o conforto de poder acordar 20 minutos antes da aula ou de voltar a hora que eu quiser para casa faz isso parecer um detalhe mínimo. E o pessoal daqui também é muito, mas MUITO legal. Provando que o mundo é muito pequeno, o apartamento tem até outro Leo, também de Brasília, que por um acaso dos acasos é amigo da Glória, what are the odds? Acho um anúncio avulso na internet, negocio tudo com um cara da Tailândia e quando chego aqui, tem um brasiliense que conhece uma das minhas melhores amigas... Surreal!

Encerrando por hoje, deixo vocês com uma imagem do prédio novo, onde moro nada mais nada menos do que no trigésimo terceiro andar:

O pior (ou melhor) é que é sério!

domingo, 31 de outubro de 2010

Da série "coisas que me fazem lacrimejar na frente do computador"

Raras vezes na vida gargalhei ao mesmo tempo em que me emocionei com alguma coisa. Ver essa foto foi uma dessas situações. Amo vocês demais!

Happy halloween, everyone!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Welcome to China Town


Cada lugar tem a China Town que merece. Em Gremlins, você pode comprar bichinhos inofensivos que quando molhados e alimentados geram criaturas do mal, como já mostra o delicioso PodPipoca que participei, com os comentários brilhantes de minhas musas Erika Ribeiro e Karin Watanabe (MomentoJabáFinished). Em Sydney,você tem a chance de comer muito bem e comprar não tão bem assim, porque aparentemente os produtos made in china só não procedem sua reputação quando são alimenticios.

Não sabia que Pacato, o gato guerreiro, era chinês

Explicando melhor, a China Town de Sydney é considerada por muitos um ótimo ponto de compras para eletrônicos (que pelo que vi não tem preços tão diferentes assim do resto dos locais) e roupas (que até tem uma diferença nos preços, mas a qualidade também é uma piada). Como no sábado passado chovia muito em Itu, digo Sydney, conhecer o bairro foi a ideia que Josi e eu tivemos para não passar o dia em casa. Foi provavelmente o dia em que mais comemos em toda a estadia australiana, porque as coisas que achamos lá eram simplesmente deliciosas.

Começamos com uma rápida tomada de preços nos restaurantes, porque vida de estudante é isso mesmo, e para a nossa sorte fomos parar num lugar com pratos de 15 dólares compostos de rolinhos, arroz misturado com a maior quantidade de coisas possíveis (vocês sabem como os chineses são), a carne ensopada que a Josi pediu e eu não faço ideia do que possa ser no momento, o frango apimentado que pedi que de apimentado não tinha nada e, sem exageros, A MELHOR SOPA DE MILHO QUE JÁ TOMEI NA VIDA. Antes que me perguntem, não, eu nunca tomei sopa de milho antes, mas se voltar a tomar, tenho certeza que não será tão boa quanto essa.

Para a sobremesa, tomamos esses suquinhos com pedaços quadrados de gelatina só porque queríamos algo diferente e quer coisa mais diferente do que cubos de gelatina? Tinha umas opções com chá com leite (?) e outras bizarrices, mas não estávamos tão ousados assim. O da Josi estava melhor, porque as gelatinas do meu eram simplesmente doces o suficiente para causar diabete instantânea em qualquer ser vivo. 

   
Depois, ainda corremos para Darling Harbour (lugar do qual falarei no futuro porque merece um cuidado maior) pra ver o show de fogos e, como bons glutões que nos tornamos, ainda tomamos uma bola de sorvete pra fechar o dia. Nada mal para um sábado que começou com cara de que não daria nem pra sair de casa. That's life in Sydney.


Gosto muito de você, leãozinho

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Talking trash

Segunda-feira de manhã, clima chuvoso, preguiça para enfrentar a rotina de aula, especialmente após um fim de semana também chuvoso. Na caminhada diária até a estação de trem, você: A) caminha tranquilamente, não força a barra e espera que o dia melhore. B) sai correndo feito um lunático atrás de um caminhão de lixo high-tech para tirar fotos, porque em tal contexto depressivo, esse pode ser o ponto alto do seu dia!

Se respondeu B, parabéns! Você sofre de leve insanidade e tem isso em comum com esse que vos fala. Como ainda não acho que seja a hora certa de contar sobre o episódio "dormimos na estação" (outro momento de insanidade, talvez não leve), resolvi escrever de forma rápida, direta e indolor sobre um assunto de utilidade pública. Portanto, fiquem com:

Curiosidades e inutilidades sobre a Austrália - Dia do lixo
  • No lugar da nossa divisão básica entre lixo seco e orgânico, australianos fazem uma verdadeira bagunça, misturando em uma leva restos de comida, sacolas plásticas e alguns tipos de materiais que definitivamente não deveriam estar lá, enquanto a parte dos "recicláveis" serve para garrafas, latas, papelão e alguns tipos de plástico, mas JAMAIS sacolas plásticas, o que pra mim não faz o menor sentido. Sério, tem até um aviso enorme na lixeira do meu prédio implorando pra você não colocar sacolas plásticas nessa lixeira, mas sim na que contém resto de comida, o que te obriga a basicamente abrir uma enorme sacola de lixo, despejar a tranqueira num local e jogar a sacola do outro lado.
  • Não é só nos banheiros que a ausência de lixeiras é sentida (e sim, nós aqui jogamos papel higiênico no vaso, não bastasse beber água da torneira), mas em quase toda a cidade. Com exceção do meu subúrbio (ou, posso imaginar, de todos os subúrbios, mas é sempre mais divertido falar do que conheço como se fosse o único), que tem lixeiras coloridinhas por toda a parte, é sempre difícil encontrar uma para jogar seu saquinho de papelão do McDonald's, sua caixinha de suco Home Brand ou qualquer outra dessas coisas hiper saudáveis que estudantes sempre carregam por aqui. Nas estações de trem, por exemplo, eu seguro meu lixo por um bom tempo porque não encontro lixeiras na maioria e só jogo o que tiver em mãos fora quando chego em Rockdale, a minha estação, que logicamente por ser minha tem muitas lixeiras e é um exemplo de praticidade.
  • A máquina definitivamente substituiu o homem nessa edificante tarefa que é a coleta de lixo. As lixeiras (mais uma vez, no meu subúrbio) são esvaziadas com o auxílio desse esplendoroso caminhão futurista que puxa uma por uma com um engenhoso gancho.
Como vocês podem perceber, eu estou numa fase de usar adjetivos com pouca utilidade, relevância e significado prático, apenas para treinar o meu lado publicitário. Portanto, me despeço com essa esfuziante e melindrosa foto do caminhão do lixo dando adeus!

domingo, 24 de outubro de 2010

Ain't no tower high enough


Deu uma boa olhada na foto? Ficou com aquela vontade de conhecer a Sydney Tower? Fica o meu conselho de quem não entende nada de turismo e dispara verdades nada absolutas: é melhor diminuir as expectativas.

Não que seja um lugar absolutamente deplorável, indigno da visita, nada disso. Lá em cima tem uma vista bem bacana da cidade, dá pra tirar umas fotos daquelas que você vê no Google e se pergunta como foram batidas, mas é só isso. Tem um filminho divertido sobre as paisagens da Austráia, chamado OzTrek, numa sala com cadeiras que se movem e tremem de acordo com os zooms da tela. Não é nenhum parque da Disney, mas dá pra curtir e talvez seja a parte mais emocionante da Tower, fora a Sky Walk, que eu não fiz porque 40 dólares podem ser empregados em coisas muito melhores por aqui.


Yuki, Stefan, JJ, suíça cujo nome desconheço, Med, Monica e eu

De resto, o negócio é mesmo só paisagem, com aquelas mega-lunetas de mirante que tem que colocar moedinha pra ver alguns pontos da cidade, muito oportunismo em forma de atrações como "faça a sua própria moeda prensada" e a magnífica lojinha de presentes com coalas minúsculos que custam o preço de alimentar um coala vivo por alguns dias. Não tem jeito, onde tem muito turista metem a faca. Pensando bem, metem a faca e qualquer lugar em Sydney, felizmente não da mesma maneira que costumamos nos preocupar com facas no Brasil. Mas isso é conversa pra outro post (também conhecido como "dormimos na estação").

 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

No rest for the wine

Prometi que voltaria para contar o caso do vinagre e aqui estou eu. Pois bem, imagine você um lindo e ensolarado domingo. O cenário é Manly Beach, a primeira e mais sem gracinha praia que conheci em Sydney. O objetivo no local era achar um festival de inverno, que eu imaginava ser de comida, mas após uma interminável escalada (ok, foi só uma longa subida de ladeira, mas tem mais graça chamar de escalada), eis que me deparo com o... Rufem os tambores... Castelo do vinho!


Pois é. Eu, que não sou lá o maior fã de vinhos no mundo, acabei parando num festival pra lá de bizarro de degustação dessa primorosa bebida. Eram 15 dólares para provar 5 vinhos diferentes entre os milhares espalhados pelas tendas localizadas ao lado do castelo. No início, as "doses" eram de prova mesmo, coisa pouca. Mas eis que o festival foi abruptamente interrompido lá pelas 5 da tarde (absurdo encerrar um evento de tamanho garbo e elegância ainda à luz do dia) e daí virou MADNESS IN THE CASTLE, com todos os donos da barraca enchendo nossas taças e nos fazendo virá-las de uma vez para que pudessem se livrar do resto nas garrafas. Depois de aguns vinhos ruins e outros mais ou menos, me fartei de licor de chocolate, o que não combinou bem com meu estômago semi-vazio.

Pose blasé de quem se embebeda no gramado

Aliás, falemos um pouco sobre isso. Como eu já disse, fui ao local esperando por comida, o que já não existia no horário em que chegamos. A salvação foi a feira existente na mochila da KK (que nos cedeu uma banana, uma maçã e um kiwi comunitários) e depois da loucura dos vinhos, os deliciosos sanduíches de menos de 2 dólares trazidos pela Josi, que pra variar chegou quando tudo já tinha acabado. Como vocês podem prceber, a mistura foi a mais saudável possível. Como mais essa história poderia terminar senão em vinagre?


Explico. No pequeno lapso de tempo transcorrido entre as diversas taças de licor de chocolate e o sanduíche, tive a sapiência de peregrinar pelas tendas procurando alguém que ainda vendesse garrafas inteiras para continuarmos bebendo após o festival. Me achando muito descolado, tratei de comprar uma formosa garrafinha roxa, gastando mais 15 dólares no que parecia o negócio de uma vida (lembrem-se que eu ainda não tinha comido o sanduíche e estava semi-embriagado). Quando voltei, muito faceiro e serelepe para o gramado com minha garrafa, fui avisado pelo Rui (aquele que come sorvete de graxa) que tinha acabado de cmprar vinagre. Resultado: vou levar uma garrafa do mais refinado vinagre australiano para o Brasil e espero que minha mãe faça muito bom uso dele em suas saladas.