Esses dias bateu a grande depressão em Sydney e, como ninguém merece texto depressivo, tratei de ficar bem longe do blog. Bem, acho que está passando agora, mas restam resquícios do sentimento que me levou a quase cometer a blasfêmia de parafrasear Michael Bublé e dizer "I wanna go home". Quase.
Acho que é bem como meu amigo Eduardo disse no Twitter: viagem deixa de ser viagem depois de um mês, depois vira rotina. Até que demorou um pouco mais de um mês, mas "acostumei" com a vida em Sydney, de certa forma quando tudo deixa de ser novidade a gente passa a enxergar as coisas ruins menos como "parte do aprendizado" e mais como coisas ruins mesmo. O jeito é fazer um esforço pra continuar achando novidades na pequena cidade que se tornou Sydney, onde encontramos conhecidos a cada esquina.
O pior (ou melhor) é que tenho feito coisas até bem bacanas. Domingo, descobri o que é realmente a praia australiana ao ir para Bondi com meus novos flatmates, a Rose e o Leo (graças a quem sou chamado de Leo #2 aqui no apartamento, pelo fato de ser o novato). Praia lotada, australianas ensandecidas fazendo topless (não que faça diferença pra mim :P) e até ambulantes vendendo sorvetinho na areia, coisa que ainda não tinha visto e pensei que não rolava por aqui. Dia muito bacana com os dois e os amigos deles, e rendeu até o meu primeiro mergulho no mar de Sydney. Como já contei para algumas pessoas, a sensação ao adentrar as águas geladas é "pronto, morri", mas depois de um tempo até dá pra acostumar. Não muito tempo, que fique claro, porque não dá pra encarar ondas de gelo vindo na sua direção pra sempre.
E o que dizer de Josi e Rê? Companhias pra todas as horas, até mesmo pra tirar fotos sem noção no Darling Harbour fingindo que estamos nas Olimpíadas do Faustão. Até australianos já comentaram que vivemos grudados, e não tem jeito mesmo. Foi identificação imediata e sempre que estamos juntos, tem coisa boa "pa nóis" (expressão que Josi cunhou em uma de nossas primeiras saídas, pedindo que eu pegasse Coca pa nóis). Falamos tanto issoque daqui a pouco vão acreditar que somos caipiras.
Engraçado que, assim como a Josi e a Clarice (saudades, viu, ruiva? Passar correndo por você e Fê no Queen Victoria Building não conta), conheci a Renata pelo Orkut, mas como ela chegou algumas semanas depois de todos nós, nem tinha certeza se nos encontraríamos tão cedo. Eis que, no terceiro dia aqui, a louca simplesmente ME RECONHECE no meio da estação de trem e começa a gritar ensandecidamente. E fico feliz que ela tenha feito isso, porque desde então não nos desgrudamos mais.
É isso, então. Comecei escrevendo sobre as tristezas e terminei com as alegrias, o que já deu um up no meu dia. Saio daqui direto para o karaokê com as meninas, seus australianos e a Paulinha Sertãozinho, outra brasileira que conhecemos no voo e ficou sumida no primeiro mês aqui, mas que agora já é parte do grupo e encontro por acaso até no mercado. Porque vocês sabem, Sydney é uma cidade pequena. Muito pequena.






