quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Australia Day

26 de janeiro. Também conhecido como Anniversary Day, Foundation Day (e pelos aborígenes como Invasion Day e Survival Day), o Australian Day (já deu de "Day", não deu?) comemora a chegada da primeira frota em 1788, quando foi oficializada a colonização da Austrália pelos britânicos. A descrição oficial do feriado é "o dia em que nos juntamos como uma nação para celebrar o que há de bom na Austrália e em ser australiano. É o dia para refletir sobre o que conquistamos e do que podemos nor orgulhar em nossa nação. É o dia para nos comprometer novamente a fazer da Austrália um lugar ainda melhor no futuro".

Já a minha descrição do feriado é: "mais uma desculpa para fazer picnics".

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Welcome to the Oprah House!

Percebi que nunca falei detalhadamente do Opera House no blog, como prometi que faria a primeira vez que mencionei o local. Verdade seja dita, faz tanto tempo que provavelmente ninguém se lembraria se eu não mencionasse, mas gosto de deixar claro que eu tardo, mas não falho. Ou talvez falhe, porque esse post não é necessariamente sobre o teatro mais famoso de Sydney, mas em grande parte diz respeito a ela... A Marcia Goldsmitch americana, a deusa de ébano das multidões, a multifacetada e antiaderente... Oprah Winfrey!

 (Barulho de grilos)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

My mother, my voice

"Feliz aniversário, amo você, mas tente falar mais baixo daqui pra frente", foram as palavras que escrevi do alto de minha sabedoria infante como mensagem de aniversário pra minha mãe há muitos anos atrás, quando o maior de nossos problemas era o tom que ela usava ao falar comigo, fosse ele causado por algo que eu tinha feito ou não. A verdade é que, baiana-do-sangue-quente-sem papas-na-língua-com-suspeitas-de-bipolaridade que é, a dona Marineide Miranda nunca foi exatamente de combinar o tom de voz com o sentimento do momento, de forma que não é incomum vê-la gritando aos 4 ventos com alguém com quem ela não tem nenhuma frustração no momento, ou falando da forma mais amorosa do mundo com alguém que secretamente ela deseja fatiar em vários pedacinhos.

Hoje, dia 17 de janeiro alguns anos no futuro (e horas no futuro também, porque no fuso dela, ainda é dia 16), eu encaro a tela do computador pensando em maneiras de ligar a minha homenagem à viagem para a Austrália (que é o tema do blog, afinal de contas) e aquela frasezinha ríspida e impensada no início do post é a única maneira de começar, porque analisando muito cuidadosamente, fica cada vez mais claro que o meu grande objetivo de ter vindo pra cá não é apenas aprender a falar inglês. É aprender a falar tão alto quanto ela.

Calma, calma. Não estou dizendo que vim para o outro lado do mundo pra ser páreo numa briga com a minha mãe, muito pelo contrário. Falar alto, diferente do que eu achava quando era criança, não significa só falar com raiva. Falar alto é não ter medo de se expor. É fazer na fila do supermercado ou na sala de espera do consultório o seu melhor amigo de infância, como ela muitas vezes fez e vai continuar fazendo. É usar sim um tom que contradiga o que você está sentindo, porque se existe outro sentimentos mais forte que me faz confundir os tons, por que reprimi-lo? Por que me podar, me obrigar a manter a "normalidade" e, principalmente, por que me preocupar com o que vão pensar se eu disser uma, duas, milhões de besteiras enquanto tento cumprir o meu propósito, que é o de simplesmente falar? Aposto que terão uma, duas, ou milhões de coisas certas no meio disso também. E se não, isso é o que havia pra dizer no momento. Esse sou eu, sem precisar de desculpas, e se você não gosta, paciência.

Na minha eterna preocupação com estruturas textuais, eu poderia estranhar que comecei um texto falando dela e comecei a falar de mim, mas que estranhamento isso causaria, se quanto mais a conheço, mais me convenço de que ela sou eu, eu sou ela, e vice-versa? "Você é um pedaço de mim", ela me disse repetidas vezes no decorrer dos anos. Muitas mães devem dizer isso para os filhos, e para muitas deve ser verdade, mas como esse texto é sobre a minha mãe (e consequentemente, sobre mim), digo que é mais verdade no nosso caso. Porque conforme o tom de voz deixou de ser o maior dos nossos problemas, as semelhanças entre nós dois se mostraram tão óbvias e gritantes que, em determinado ponto, não precisávamos mais nos expressar com a voz, nossos devaneios se tornaram claros um pro outro de forma quase telepática.

Voltando à minha duvidosa sabedoria infantil, diversas vezes me questionaram porque eu não chamava minha mãe efetivamente de "mãe", ou "mamãe" (e no mais extremo dos casos, "mainha", como bem conhecido de qualquer baiano por aí) e, diferente da questão sobre os tons de voz, para essa eu não tenho muito o que filosofar e dificilmente conseguirei responder. Eu era uma criança estranha. Melhor dizendo, sou uma criança estranha. E ela, como criança de outras estranhezas que também é, deve saber que as cutucadas e os constantes artifícios utilizados pra evitar a palavra "mãe" não diminuem em nada a minha consciência do que a palavra representa, e do que ela representa pra mim acima de qualquer palavra

É por isso que hoje, mamãe, escrevo dessa forma desorganizada e cheia de voltas que você já conhece, meio ríspida como aquele bilhetinho de criança, meio poética do jeito que você sempre me enxergou, para passar essas três mensagens:
Feliz aniversário!
Eu te amo!
E nunca, nunca deixe de falar alto.

Do seu filho, seu pedaço, em todos os fusos e todos os tons de voz.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Do you remember the summers that lasted so long?


Carol entre Leos, Josi e Fabi: long live the Sydney Festival!

June til September
Was our time to sing all the songs
Do you remember
All of us together
As we grew up under the sun


Escolhi essa jurássica e esfuziante música do Sugar Ray para iniciar o post porque desde sempre, o sentimento que ela me passava era o que tenho sentido várias e várias vezes aqui em Sydney: aquela sensação de que cada momento conta, de saudade antecipada de cada minuto que está passando e não volta mais, da nostalgia constante que nos alerta para aproveitar ao máximo, já que logo tudo o que estamos passando aqui serão lembranças distantes. Mas não temei, que a melancolia do início desse post é produto apenas da música, o meu propósito real dessa vez é contar um pouco sobre o Sydney Festival, nome pomposo dado ao maior picnic realizado na cidade!


Farofada no Hyde Park: começa o festival!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Things to steal


Fui para Sydney e lembrei de você!

Não são raras as vezes em que os temas discutidos na aula rendem assunto para o blog. Uma das ocasiões em que imediataente pensei e mtransformar a discussão em post, foi quando conversamos sobre o que era "aceitável" roubar em cada país.

Segundo o Julian, meu antigo professor com alguns parafusos a menos, australianos costumam roubar gnomos de jardim quando são mais jovens. A diversão consiste não no roubo em si, mas no fato de que nos próximos meses, as pobres donas de casa que perderam seus gnomos recebem cartões postais com mensagens dos adornos, em diversas paisagens e situações. Além disso, símbolos da Mercedes são objeto de desejo de 10 em cada 10 ladrões, já que aparentemente são muito úteis para abrir garrafas.

Menos interessante do que gnomos que enviam cartões postais e abridores de latas da Mercedes, mas ainda interessante, foi ouvir da Pola (mexicana que ganhou 3 semanas pagas em Sydney num concurso de dança) que no México é muito aceitável roubar batons, principalmente no colegial. E para encerrar com um sabor brasileiro, joguei na roda que muita gente no Brasil rouba cones de trânsito, o que percebi ter soado muito estranho para os gringos da classe. Porque gnomos enviando cartões com marquinhas de batom é muito mais normal, certo?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Camp, boat party and too much alcohol - A perfect way to spend New Year's Eve in Sydney!


Post em homenagem à minha amiga de infância Cintia Rock! :D
Esqueça as lentilhas, o pular de ondas ou o jantar em família, em Sydney o buraco do reveillon é mais embaixo. Os fogos na Harbour Bridge são a escolha definitiva da maioria das pessoas e a menos que você tenha muito dinheiro pra garantir um barco em posição privilegiada, o negócio é juntar os mantimentos e se preparar pra passar o dia na espera do evento da virada. Vale de tudo: barraca de acampamento, saco de dormir (minhas duas aquisições de ano novo, realizando o sonho da casa própria na Austrália), muita comida pra passar o dia e, claro, bebida disfarçada de suco ou refrigerante.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Closing the cycle ou: Educação sentimental

 
Julian, Catherine, Phil, Pola, Leslie, eu, Martin, Cho, Laura e Annaluisa

Com quase três meses de Austrália, o que é basicamente metade do tempo que vou passar aqui, já dá pra perceber claramente um ciclo se fechando. E que ciclo! Cheguei aqui completamente inseguro do meu inglês, ao ponto de não conseguir explicar o que queria numa loja de celulares e receber da vendedora um sonora "don't you have any friends here?". Hoje, dou informações em inglês para os transeuntes (adoro essa palavra e não é todo dia que posso usá-la) com relativa facilidade.

A verdade é que vim para esse intercâmbio com muitas expectativas e, principalmente, muita pressa. Pressa de aprender, de conhecer, de mudar hábitos, de ousar mais, fazer mais, viver mais. Me frustrei por diversas vezes e ainda me frustro, porque expectativas específicas estão aí para não serem atendidas. Algumas foram, muitas outras não. O que planejei, a experiência perfeita criada na minha cabeça não aconteceu e provavelmente não vai, mas e quanto ao que eu não esperava? Isso sim, faz toda a diferença.

Aprendi, e muito. Conheci e continuo conhecendo cosias novas todo dia, embora às vezes precise me forçar a abrir os olhos para esse conhecimento e reconhecer a sorte que tenho de estar aqui. Mudei e ousei de maneiras que provavelmente passam longe das mudanças e ousadias que imaginava antes de vir, o que é recompensador de uma forma que nem dá pra explicar. E estou vivendo, o mais intensamente que posso, mas agora com menos pressa. As expectativas, isso sim é difícil de controlar, continuam aqui.


Julian, Fernanda, Vanessa, eu, Jina Laura, Annaluisa e Jorge

Partindo para um lado menos filosófico e mais prático do blog, explico porque me sinto fechando o ciclo: terminei o General English. Pois é, tinha 6 meses pagos para o curso, mas como comecei no pré-avançado (o que foi uma surpresa enorme pra mim, lembram?) e já passei um bom tempo no avançado, não tinha muito mais o que me desafiasse. Por isso, em janeiro mudo de escola (continuo na ACE, ou melhor, Navitas, mas em outros Campus) e começo o curso preparatório do Cambridge, que pelo que dizem é muito mais puxado e demanding (também gosto muito dessa palavra). O novo campus é em Bondi Junction, pertinho de Bondi Beach (oba, praia depois da aula), o que significa o retorno dos meus dias de andar de trem, acordar muito mais cedo do que o horário da aula e por aí vai. Não posso reclamar, mas confesso que vou sentir falta da minha caminhada diária para a escola.


Catherine, Linda, eu, Pierre, Vanessa, Som, Julian, Heedoo e Phil

E vou sentir falta da escola, claro! Na ACE (ops, Navitas!) da City, o clima de despedida sempre se fez presente, com um ou mais colegas indo embora toda sexta-feira, mas dessa vez é diferente: é a minha despedida! Se por um lado a perspectiva de conhecer novas pessoas (e ir para a praia depois da aula) é animadora, por outro já estava acostumado ao ambiente da City. Querendo ou não, nos acostumamos à rotina de transitar pelos três andares da escola, de jogar conversa fora com os conhecidos pelo corredor, de misturar inglês e português com os brasileiros e voltar rapidamente para o inglês quando os professores apareciam e dos clássicos sorteios de chaveiros de coala, canguru e Tim Tams na loteria da quinta-feira.

No meu caso, é a primeira vez que troco também de professor e, devo dizer, o meu era dos melhores! Julian, um australiano pra lá de teatral, desenhista pra lá de controverso (ele desenhava um pato e dizia que era uma casa, e estava completamente convencido disso) e principalmente, ser humano pra lá de excepcional. Sentirei falta de ouvi-lo reclamar dos problemas de casa em tom bom humorado e em seguida pedir desculpas por usar a aula como terapia, das histórias de fantasma na Wynyard Station e nas salas "assombradas" do campus e de seu interminável repertório gestual.


E quanto aos colegas de classe? Eu poderia gastar linhas e mais linhas descrevendo todas as personalidades fascinantes que conheci no General English, e provavelmente farei isso qualquer dia desses, mas que fique registrado que foi um prazer e uma honra passar esse tempo com cada um. Quem me conhece sabe que me apego fácil e realmente acredito que, à sua maneira, cada pessoa que passa pela minha vida faz a diferença. Espero ter feito na delas também!

What happens next?